UMA CERTA URGÊNCIA POR EXPLOSÕES SILENCIOSAS

Créditos

Produção: NA REAL CULTURAL
Roteiro: Ana Johann

Direção: Ana Johann

Direção de fotografia: Hellen Braga

Em desenvolvimento

Previsão de lançamento: 2020

Curta metragem

Ficção / 15'

Curitiba / Paraná / Brasil

18 anos

Sinopse

 

Suzanne é uma mulher de mais de 60 anos de classe média, viúva, que vive num apartamento no calçadão da Rua XV, em Curitiba. O ano é 2016, um tempo barulhento, onde buzinas e panelas indicam uma crise nacional.  Embora já foi casada, ela faz parte de um grande grupo de mulheres que nunca tiveram um orgasmo - nem vaginal, nem clitoriano. Ao se deparar com um documentário mexicano onde mulheres falam sem pudores sobre o assunto, Suzanne se vê diante do seu maior medo e do seu maior desejo, encarar seu próprio corpo. Suzanne cresceu rodeada por imagens e vozes que criaram em seu corpo estes estigmas culturais e continuam ressoando até hoje. No entanto, a partir do dia que escuta essas mulheres falando sobre o orgasmo, ela começa a ver e ouvir um pouco além resultando numa explosão silenciosa, ou seja num orgasmo.

Apresentação

 

O curta-metragem “Uma certa urgência por explosões silenciosas” parte da história pessoal de Suzanne, uma viúva de mais de 60 anos, para abordar a tragédia contemporânea de uma grande parcela de mulheres brasileiras. Não por acaso, o título exala a necessidade do corpo de Suzanne ao mesmo tempo que desvela a postura de uma sociedade patriarcal sobre as mulheres, que são quase que totalmente silenciadas, uma vez que elas mesmos não se sentem confortáveis para falar do assunto.


A tragédia sempre se materializou por questões irreversíveis e, se ao longo da humanidade centrou-se nas grandes problemáticas personificadas por figuras ilustres, hoje se desloca para o homem/mulher comum. Tragédia é, tradicionalmente na arte narrativa e dramatúrgica, uma representação onde os personagens são confrontados por misteriosas forças que operam contra eles de forma inevitável, causando sua destruição. Se na tragédia grega essas forças eram representadas pelos deuses, na tragédia contemporânea do ser humano comum elas estão presentes no peso da cultura e da religião sobre a vida das pessoas, especialmente na das mulheres. Na vida real, essas forças culturais e religiosas atuam de formas tão sólidas, que muitas mulheres acabam se recusando a dar prazer ao próprio corpo. Isso graças a uma sociedade patriarcal que não defende o prazer mútuo e a liberdade da mulher.


Depois de ter enviuvado, Suzanne vive sozinha num apartamento e tem contato com duas amigas que vê ocasionalmente. O mundo à sua volta exala uma forte crise financeira e política em que tudo parece estar para explodir. Suzanne está à procura de qualquer som de prazer que saía da sua boca. Ela nunca teve nenhum tipo de orgasmo e, conforme sua idade avança, ela guarda com mais desespero essa questão dentro de si, visto que, por vergonha, não consegue compartilhar essa questão com suas amigas, nem com ninguém. Mas, ao se deparar com um documentário sobre o assunto, começa a ficar mais atenta ao seu corpo até conseguir, entre um choro de alívio e alegria, extrair o que mais desejava de si mesma: uma explosão silenciosa.

Estágio do projeto

 

Estamos desenvolvendo um novo tratamento do roteiro e reformulando o projeto, que já passou por alguns editais.